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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

o dia em que eu deixei de ser loira

Sempre achei que eu fosse loira. Não digo loira do tipo loira, mas loira do tipo loiro escuro ou castanho claro. Foram 26 anos acreditando que eu fosse assim. Não que eu quisesse ser loira e tenha mentido para mim esse tempo todo, mas é que eu realmente acreditava ser.

Há umas 2 semanas, na minha aula de francês, aprendíamos alguns adjetivos e a descrever coisas, objetos e afins. Daí meu professor me perguntou:

- Ellen, como você se descreveria?

Dentro da minha limitação de vocabulário, obviamente usei apenas as palavras que havíamos acabado de aprender.

- Eu? Bom...vamos lá. Ah, eu sou feliz, jovem do tipo super jovem, poderia estar com uns quilos a menos e blablabla e blablabla...Ah, e sou um pouco loira.   (reparem que eu disse um pouco loira. No meu francês, un peu blonde).

Todos começaram a rir.

Ok, na minha sala há uma italiana super morena e o resto é loira do tipo loira mesmo. E eu sou a peu blonde. Quer dizer, eu achava que era. Aparentemente eu sou morena por esses lados, e não adianta tentar convecê-los do contrário.

Voltei confusa para casa.

Daí durante o jantar:
- Ei, aparentemente eu não sou loira aqui na Europa.
- O quê?
- É, hoje na aula de francês eu me descrevi como loira e todo mundo riu.
- Mas é claro que eles riram.
- Como assim claro? São 26 anos acreditando numa coisa, daí vem um francês careca e me fala que eu sou morena? Você me acha morena?
- Claro que eu te acho morena. Por quê, você se acha loira? 
- Eu sou um pouco loira! E assim, você não acha que é nem um pouquinho loiro escuro ou castanho claro talvez?
- Não, nem um pouco.
- Hmm...você sempre soube que eu era morena?
- Claro que sim! Ellen, você tem certeza que sabe a tradução correta para loira e morena?
- Claro que eu sei! Em francês e em inglês.
- Então você é morena. Vai ter que aprender a conviver com isso.

E após 26 anos terminei meu dia sabendo que sou morena, mas com alma de loira.

beijinhos escurecidos,
Ellen

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

qu'est-ce que c'est?

Pelo pouco que ainda sei, o francês me parece uma língua muito rococó...muito rebuscamento pra dizer pouco. Comecei minhas classes há uns 10 dias atrás. Agora já sei quem eu sou, o que faço e onde moro...tudo isso em francês! Aliás, já sei até pedir por um sanduiche ainda que seja um simples com rúcula, queijo e presunto parma.

Agora a minha frase favorita é Qu'est-ce que c'est?. Leia-se como quês que cê e que simplesmente significa o que é isso?. Ainda não a posso utilizá-la a exaustão, pois meu vocabulário para a resposta é um pouco limitado. É como chegar em algum lugar, olhar para uma mesa e perguntar "Qu'est-ce que c'est?". A resposta seria mais ou menos "une burreau, sua trouxa". Ainda não sei dizer trouxa em francês também. Só sei que vou me divertindo e um dia chego lá, com biquinho e tudo mais.

un bisou quase bicudinho,
Ellen

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

e o que é que a Bélgica tem?

Digo, Bruxelas. O resto da Bélgica eu ainda não conheço.
Tive minha primeira impressão, mas ainda não pude fazer muitas conclusões. É aquela coisa de não ser turista, mas também não me considerar um super morada imersa na cultura local. Questão de tempo.

Aqui todo mundo fala francês, mas por ser a capital do país é oficialmente bilíngue. O francês e o holandês. Bruxelles em francês. Brussel em holandês. Daí em inglês é Brussels. Eu sempre me confundo toda e acabo chamando de Bruxells.

É terra de cerveja, dos Smurfs e do TinTin do átomo gigante e do menino-anão que faz xixi constantemente - o que não é necessariamente uma coisa de se orgulhar, mas eles se orgulham. Esse é o espiríto.

Aqui se come chocolate, wafle e mexilhões com batata frita - o tal do Moules Frites. Aliás, eles alegam que inventaram a batata frita! Verdade ou não, acredito que eles a consumam mais do que um irlandês.   Diferente de Dublin, eles tem fogão a gás, dia do lixeiro, caqui (!!!), horário pra sair o pão fresquinho e feiras de rua, ainda que sem pastel.

Aqui é a sede da União Européia, tem a Otan, o Parlamento europeu e um rei. A Audrey Hepburn e o Jean Claude van Damme também saíram daqui.

Tudo é mais lento e burocrático, e as pessoas mais mal humoradas e mal educadas. O serviço é ruim. As gorjetas em restaurantes não são comuns.

O transporte público funciona. Tem metrô, bonde, ônibus e bicicleta de aluguel. Aqui se bebe champagne. Se come muito bem. Toma-se café em cada esquina. Aliás, em cada esquina há uma praça charmosa, mas a principal está no centro - a Grand Place ou Grote Market (para deixar as duas línguas felizes). Os carros param se você ameaçar atravessar a rua, o que sempre dá medo. Aqui chove muito, venta muito e faz frio.

Eu virei mademoiselle e voilà virou minha expressão favorita.

parte da Grand Place ainda em trajes natalinos

Atomium

por 8 euricos sobe-se até uma das bolas para se ter uma vista super bacaninha para toda cidade

o pôr-do-sol na saída de lá
o Manneken Pis numa versão gigante de chocolate falso e comedora de waffles. A versão real é pouca coisa menor que a cabeça desse.
Arc du du Cinquantenaire  (que é quase uma releitura do Brandenburg Gate em Berlin)


A verdade é que ainda não tirei muitas fotos daqui, e as fotos a seguir não ilustram nada…eu só gosto delas e quero compartilhar.



essa é uma rua perto de casa que está no meu caminho do dia-a-dia e me encantava quando estava coberta de neve

essa é a pracinha em frente ao ponto de ônibus que eu uso


esse é um parque chamado Bois de la Cambre. É enorme e bonito. No verão é possível alugar esse barquinho aí da foto para dar uma volta no lago. Já no inverno há uma espécie de mini balsa que atravessa de uma margem a outra, te levando até aquele chalé ali de trás que é um café/restaurante


o parque

no lago

na ponte de pedra

Logo mais eu volto para ilustrar o resto.
bisous,
Ellen


PS. Lembram do boneco Manequinho? Aquele menino de cara dócil que fazia xixi toda vez que levava uns apertões nas costas?Pois então, acho que ele é uma releitura quase que em tamanho real da versão belga.